A representação do feminino nos documentários de Agnès Varda

Atualizado: 6 de Out de 2020




A cineasta Agnès Varda, nascida na Bélgica e radicada na França, foi a percussora da Nouvelle Vague e a única diretora mulher do movimento, realizadora dos filmes “Cléo das 5 às 7” e “Vagabond”. Aos 89 anos, foi a pessoa mais velha indicada para a premiação do Oscar com o longa-metragem "Visages, villages", na categoria Melhor Documentário, em 2017. A cineasta faleceu aos 90 anos, em 2019.


Engajada em pautas sociais, lançou o documentário em curta-metragem, “Os Panteras Negras” em 1968, registrando as reuniões e manifestações políticas do grupo. Muito de seus filmes de ficção e realismo documental tinham a presença de elementos autobiográficos, com foco no feminismo. Sobre seu trabalho, Varda disse "Nunca fiz filmes políticos, simplesmente me mantive ao lado dos trabalhadores e das mulheres”.


Enquanto mãe e cineasta, os documentários de Varda possuíam mulheres como protagonistas de formas não convencionais, com objetivo de redefinir como essas são retratadas no cinema. O papel feminino, o envelhecimento do corpo da mulher, a feminilidade e o sexismo estão entre as temáticas abordados em seus documentários.


A lista a seguir apresenta 4 documentários de Agnès Varda sobre o feminino:


A Ópera-Mouffe (1958)


A Ópera-Mouffe é um curta-metragem e o primeiro filme da cineasta, definido por ela mesma como um "documentário subjetivo". O tema central é a maternidade, Varda inspirou-se em sua própria experiência. A cena de abertura é o seu corpo nu, grávida de sua primeira filha.


O filme se passa na Rua Mouffetard, em Paris. E retrata em formato de nota o fluxo de sentimentos ligados a gravidez: angústias, desejos e felicidades. Os elementos de ficção e não ficção são utilizados e retratam a perspectiva pessoal da cineasta sobre os acontecimentos factuais.


Nome original: L'opéra Mouffe

Duração: 16 min

Produção: Ciné-tamaris

Distribuição: Ciné-tamaris

Trilha sonora: Georges delerue



Resposta de Mulheres (1975)


Resposta de Mulheres faz parte de uma série de 7 curtas-metragens do programa "F comme Femme" do canal Antenne 2, cada episódio foi dirigido por uma cineasta diferente. No episódio de Varda, um grupo de mulheres de diferentes idades são filmadas em primeira pessoa e discursam o sobre o que é ser mulher.


O discurso dessas mulheres combatem afirmações machistas que procuram definir o significado de feminilidade, como a objetificação da mulher e maternidade compulsória. No filme, Varda utiliza a nudez feminina não erótica, como forma de crítica a sexualização dos corpos femininos na mídia.


Nome original: Réponse de femmes: Notre corps, notre sexe

Duração: 8 min

Produção: Sylvie Genevoix e Michel Honorin

Distribuição: Antenne 2

Indicações: César de Melhor Documentário de Curta-Metragem



Jane B. por Agnès V. (1988)


Jane B. por Agnès V. é um filme biográfico sobre a atriz e cantora Jane Birken. A realização do filme foi motivada pelo o aniversário de 40 anos de Birking, idade considerado por Varda, como o tempo de glória da mulher.


A cineasta utilizou elementos do mito de Ariadne no labirinto para representar o sexismo. Neste filme, os movimentos de câmera atuam como uma espécie de predador atrás da protagonista. O objetivo é representar a cultura predatória da mídia com mulheres artistas. Varda também apresenta as lentes das câmeras através de um espelho durante as cenas, para demonstrar o sujeito câmera e seu papel na criação da narrativa.


Nome original: JANE B. PAR AGNÈS V.

Duração: 97 min

Produção: Ciné-Tamaris

Distribuição: Capital Cinéma

Trilha sonora: Christophe Barratier, Joanna Bruzdowicz, Jean-Charles Guiraud



As Praias de Agnès (2008)


Aos 81 anos, Varda realizou o documentário autobiográfico Praias de Agnès. A narrativa mostra seu próprio processo de envelhecimento. A câmera se aproxima das suas marcas de idade e seus cabelos brancos, formas de representações não convencionais das mulheres no cinema.


O filme discorre sobre as percepções de Varda em seu papel como mulher, artista, mãe, ativista, viúva e irmã. E também traz sua reflexão sobre seu envolvimento com o feminismo, “Tentei ser uma feminista alegre, mas estava com muita raiva”.


Nome original: Les plages d'Agnès

Duração: 1h 50m

Produção: Ciné Tamaris

Distribuição: Les Films du Losange

Trilha sonora: Joanna Bruzdowicz , Stéphane Vilar, Paul Cornet

Indicações: César de Melhor Documentário, Prêmio da National Society of Film Critics de Melhor Documentário




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